segunda-feira, 9 de maio de 2016
Menina-Girassol
Desde pequena, Maria, foi menina-girassol. Ainda muito nova - novíssima! - preferia girassóis às pessoas. Era como uma luz de pequena clareira -imóvel e só- no mundaréu de luzinhas que piscavam freneticamente. O ritmo, as luzes, os sons, atingia Maria no seu íntimo de vida. Na maioria dos dias, ela, sem entender, imóvel se amedrontava. Maria cresceu enfeitiçada pelas histórias, histórias quaisquer, restinhos de agonia que frutificava com ela. Histórias que Zézinho contava na rua, histórias que ouvia -sempre quietinha- nos cantos. Apaixonou-se pelo silêncio confortável de quem mais observa que vive. Silêncio eterno viajante. Maria se apaixonou pelas janelas de ônibus. Às vezes, pegava os maiores caminhos só ficar nas janelas e junto ao silênico se aproximar de sua zona eterna de conforto da imaginação. Maria se encantou por cidades calmas com ruas de ladarinho antigo em que, por vezes, sonhava ouvir suas notas como num samba antigo. A menina-girassol desembocava no mar - todas as manhãs! Entre automóveis e pessoas-maquinas, com tantos moinhos de afeto, Maria insistentemente sonhava.
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